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Sobre Natal e Paganismo

Em minhas caminhadas sobre Gaia, nunca escondi o apreço pelos meus tantos professores, em especiais os que foram capazes de mudar minha forma de pensar e de me relacionar com o mundo. Na seara do Budo, um antigo Sensei mostrou-me que apenas reagir ao ambiente à sua volta é muito ruim.

Explico: quando se apenas reage, o outro pauta o seu ritmo e a sua percepção do mundo à sua volta, inclusive de ataques ou pretensos ataques. O ideal é movimentar-se pelo mundo relaxado, com a mente em zanshin e a percepção aguçada, sem interpretar o que vê.

Isso (zanshin) é exatamente o que não tenho visto no último capítulo do burburinho Pagão, ao ler todas as respostas a um post que dizia que a tolerância não podia ser de mão única, em especial no que tange a comemoração de feriados religiosos como o Natal. Vamos aproveitar o convite ao debate e expandir a questão que merece ser examinada.

1. Estamos falando da opinião de um indivíduo que deixa muito clara a importância que dá a si próprio e suas próprias palavras, em especial pelos seus atos (quem não se lembra das diversas vezes que o mesmo se colocou como representante da Bruxaria e Wicca tupiniquim?). Lembremos que com todo o holofote e purpurina que o mesmo gosta de despejar sobre si, tudo que ele fez foi externalizar sua opinião, fato salutar e ilustrativo para todos. Discutamos a opinião, não a pessoa.

2. Tolerância não se pratica como moeda de troca, da mesma maneira que a caridade. Sei que isso é de difícil aceitação por alguns, mas a prática da tolerância engrandece o praticante, a despeito de ser uma via de mão dupla ou não. Condicionar a prática da tolerância na própria família a uma retribuição é uma postura pequena, ávara, e egoísta. Infelizmente essa postura é tudo que alguns tem, e devemos respeitar os limites de cada um.

3. Tolerância é uma escolha: Não se trata de obrigação ou cânon religioso. Aquele que aceita um convite para partilhar a comida de um festival religioso apenas para aproveitar o convívio dos entes queridos não é mais ou menos Pagão que qualquer outro, uma vez que somente aos Deuses Antigos é dado conhecer o íntimo de cada um.

4. Talvez o que o malfadado autor do infeliz comentário tenha querido dizer é que o Pagão que precisa, ou celebra o mistério do aniversário do Nazareno, não é Pagão. Neste caso, sou obrigado a concordar que aquele que encontra em seu coração espaço para Iesus não é um filho dos Antigos Deuses, e possivelmente tem problemas cognitivos de grave monta.

5. De qualquer maneira, voltando ao conceito de zanshin, deixar que a opinião de um tolo paute as ações ou reações de qualquer um é um imenso desperdício de energia. Há de se compreender o ego machucado que exige popularidade e buzz como muletas para a fratura da auto estima, sem se permitir ser arrastado para esse foco de pestilência de bate-boca em redes sociais.

6. Concluindo: um tolo provavelmente irá espumar pela boca e ordenar que o siga, mas suas opiniões só terão poder sobre os que decidem seguir os seus passos. Deixemos o caminho dos tolos e dos sábios a cada um, e cuidemos dos nossos, sem se arvorar porque um ou outro se dão o direito de conferir diplomas de Paganismo aos seus asseclas.

Em sorrisos e tolerância,

Kalamar Nur

Coerência Natalina

Muito se fala e se discute entre os Pagãos de como os cristãos “roubaram” o natal, a páscoa e outras tantas festas. Engrossam o coro os ateus, os historiadores, e mais uma pá de gente que não se intimida por séculos de mentiras e lavagem cerebral.

O pior que é tudo verdade, e aquela verdade doída, onde se percebe o quanto de mal os “bem intencionados” podem fazer aos outros. Roubaram algo maior do que as datas e os nomes: tentaram se apropriar do espírito das festas, dos nossos valores, da comunhão alegre que nos permeia e transformar em um aniversário de uma maldita ovelha vampira egrégora parasita que só espalha a vergonha e a ignorância.

O roubo foi tão bem feito que hoje nos olham de maneira estranha quando dizemos  que fomos roubados. Pior ainda quando exprimimos aquela tristeza por tudo que perdemos sem a chance de vivenciar.  E ao nosso redor a síndrome de estocolmo é tão grande que tem gente que por dentro bate palma e pergunta “e daí”.

E daí que roubaram nossos festivais?

E daí que massacraram nossos sacerdotes?

E daí que subverteram tudo que nos era sagrado com sua fé simplória e prêt-à-porter?

Foi tudo à tanto tempo, não é mesmo?

E daí, nós dizemos, que nos recordamos e não tratamos ladrão como amigo nem amigo como ladrão.  Vamos deixar claros, de uma vez por todas: Não somos cristãos.  Que isso reverbere no íntimo de cada caminheiro que hoje se encontra nessa casa. Que se lembrem que a senhora desta casa não acha bonitinho ou adorável as canções de natal, a hipocrisia e a falsidade tão comuns nesta época do ano.

Não precisamos que nos deem permissão para nos cobrirmos de presentes nem para nos fartarmos de rabanadas e outros quitutes. Entendemos que nossos familiares e amigos, ignorantes de suas correntes, mesmo sem serem cristãos nos deem presentes nesta data e que retribuamos em carinho e em amor. Só que temos a obrigação moral, religiosa e mágicka de sermos coerentes.

Quando recebemos o solstício de verão de braços abertos, gratos com o que possuímos, isso engloba o que veio e o que virá. Não é para sermos crianças birrentas discutindo o número, valor ou espécie dos presentes que recebemos ou não.  Sejam vigilantes nas suas promessas, meus queridos: o inimigo espreita por trás de sorrisos e votos inofensivos.

Em amor,