Hécate

Introdução

Há alguns anos atrás, Hécate dos caminhos me trouxe de volta a fé que havia perdido em uma lua.  Deusa honrada nesta casa por todos, a Senhora da Magia é uma grande professora.

Hécate é uma Deusa complexa, de muitos epítetos e funções.  E a primeira coisa que descobri é que apesar do que se diz, ela não é uma Deusa só de bruxos. É uma Deusa de beleza e poesia,  de filosofia e bruxaria. Cuida de invocações e do dia-à-dia, dos homens e dos seres que habitam o submundo. Não há coisa ou ser que não receba o toque daquela que à tudo muda.

À luz de suas tochas, que são acendidas no combustível que achamos nas partes mais ocultas de nossos espíritos, trilhamos suas encruzilhadas, com cães como compania e a única certeza que através de seus caminhos, voltaremos melhores do que ao sair de nossos lares em direção ao desconhecido.

1. Três Muitas faces
Talvez seja essa a característica mais popular de Hécate.  Entre os Wiccans, associa-se essa característica às três faces sagradas femininas: A Donzela, a Mãe e a Anciã. Em uma concepção mais filosófica, diz-se que ela possui uma face para nós, uma face para os Deuses, e uma face para a verdade. No entanto, ao nos recordarmos de certas estórias muito mais antigas que as pedras da Acrópole, e nos aproximarmos das raízes da cosmogonia primitiva, uma outra razão para suas três faces se descortina – ela se encontra presente no nosso mundo, no submundo e nas veredas celestes, sendo por isso honrada por todos que a conhecem, Deuses ou homens.

A Senhora de três face esteve conosco por pelo menos 3.000 anos. Suas faces nos dão boas vindas à Renascença, ao Império Romano, ao Império Bizantino, ao período Helenístico, à Grécia arcaica e além. E nem sempre essas faces serão antropomórficas, uma vez que Hecate não é uma Deusa “humana”.  Sua essência pré-olimpiana, ctônica, que às vezes se assemelha aos Titãs, impinge uma essência que abarca muito além da psiquê humana.

Aliás, suas faces são muito mais do que três.  Podemos citar, brevemente, algumas:

  • Chthonia (‘Telúrica’)
  • Dadouchos (‘portadora da tocha’)
  • Enodia (‘dos caminhos’)
  • Kleidouchos (‘portadora das chaves’)
  • Kourotrophos (‘ama seca’)
  • Phosphorus (‘portadora da luz’)
  • Propolos (‘companheira’)
  • Propylaia (‘diante dos portões’)
  • Soteira (‘salvadora’)
  • Triformis (‘de três corpos’)
  • Trioditis (‘dos três caminhos’)

 

…e outras tantas formas. Como guardiã das chaves para o submundo (decidindo quem seria digno do ingresso nos Campos Elíseos), era honrada em seu principal centro de culto na cidade de Lagina, na região de Cária (hoje na Turquia), através de sua face de portadora das chaves.

(continua na próxima semana)

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