Do sacrifício de animais

O assunto da vez parece ser a pertinência ou não do sacrifício de animais na Bruxaria. Seguem meus dois centavos sobre o tema: SOMENTE minha opinião, não a verdade cósmica. Não falo por uma Tradição de 3585747892 seguidores, ou pela Bruxaria, mas pelo que se encontra em meu coração, ok?

Acho impensável alguém defender crueldade contra animais. É de uma vilania terrível. Temos mesmo que nos mobilizar de maneira consistente para lutar contra isso.

No entanto, parei para refletir com um pouco mais de atenção e vi uma série de inconsistências que me deixaram intrigado. Daí, procurei pesquisar o tema (infelizmente, de maneira breve) e decidi escrever minhas (primeiras) considerações:

1. Apesar do nome, abatedouro não é, para a legislação, um simples lugar onde se abate animais. Se fosse assim, cada dono de sítio e fazenda que não sejam agronegócio deveriam ser enquadrados no tipo penal (erroneamente) citado por aqueles que condenam o sacrifício de animais. Para ser considerado matadouro há a necessidade de posterior de revenda da carne.

2. A legislação federal, que data da época de Vargas, não proíbe o abate para consumo, mas “VI – Não dar morte rápida, livre de sofrimento prolongado, a todo animal cujo extermínio seja necessário para consumo ou não;” Não se deve interpretar a lei para beneficio próprio, nem ser mais severo que o legislador;

3. A presunção de não saber se a carne se encontra saudável é digna de consideração. No entanto, se todos os membros do rito forem maiores e consentirem, pergunto-me quem seriam as vítimas do ato atípico;

4. Quando se diz que a maioria define o que a Bruxaria é ou não, entramos aqui em terreno deveras perigoso. Se vamos adotar a regra da maioria para a definição do que é bruxaria, acredito que a Cristandade infelizmente há de ganhar e por conseguinte terei que colocar um Cramunhão no meu altar  Emoticon smile

5. Saúde publica como já diz o nome, é realmente do interesse de todos mesmo. Seguindo a exortação do “dedurismo” evocado nas mídias sociais, acho que deveríamos também denunciar quem não usa camisinha em rito sexual pro MP pelo mesmo motivo, tipificado no CP. E quem usa ervas em braseiros sem extintores por perto. Afinal, podem causar um incêndio. Seria interessante também denunciar o consumo de psicotrópicos em ritos xamânicos. O charlatanismo de outros tantos. O estelionato de outros. E por aí vai – só que tal postura fala mais da sanha de policiar o culto alheio do que proteger a saúde publica, uma vez que tal preocupação não parece se espelhar no hamburger ou picanha que comemos.

6. Alias, os abatedouros ditos LEGAIS são estes sim, um antro de crueldade. E comemos para viver. MAS Matar sem crueldade para comer e honrar os deuses não pode, deixar que matem com crueldade so pra comer pode. Não parece hipócrita e contraditório?

7. Os últimos que vi equivalerem o sacrifício de animais com crueldade animal (tamanha simplicidade na analogia só pode demonstrar rasas faculdades mentais ou má fé) foram os evangélicos, quando começaram a perseguir as religiões de matriz africana. Jamais esperaria isso daqueles que seguem o Paganismo.

8. A admissão de sacrifícios ou não na Bruxaria se dá por história, tradição, e prática, e não pelo imprimatur de um ou de outro. Seria salutar lembrar-se de seu lugar no mundo antes de outorgar-se procuração para falar em nome de toda uma fé, em hubris.

9. Se eu quisesse seguir exemplos do Hinduísmo, Budismo, Judaísmo, e cristianismo, teria me convertido a estas fés. Sou Pagão, e sigo meus ancestrais.

É isso. espero que fique clara minha postura sobre o tema, e não sobre a pessoa de x ou y.

Kalamar Nur – O assunto da vez parece ser a pertinência ou não do…

Em defesa desta linha, um pouco de doutrina não faz mal:

CELSO ANTÔNIO PACHECO FIORILLO (Curso de direito ambiental brasileiro, p. 95, São Paulo: Saraiva, 1995)

“…resulta claro que, no aparente conflito entre o meio ambiente cultural e o meio ambiente natural, merecerá tutela a prática cultural – no caso, sacrifício de animais domésticos – que implique “identificação de valores de uma região ou população”. Bastaria, a meu ver, um único praticante de religião que reclame o sacrifício de animais para que a liberdade de culto, essencial a uma sociedade que se pretenda democrática e pluralista, já atue em seu benefício. Dir-se-á que nenhum direito fundamental se revela absoluto. Sim, mas o confronto acabou de ser revolvido através do princípio da proporcionalidade. Ao invés, dar-se-ia proteção absoluta ao meio ambiente natural proibindo, tout court, o sacrifício ritual.”

Paulo Lúcio Nogueira – : “A lei procura proteger os animais domésticos e os selvagens domesticáveis, excluindo apenas os daninhos. Entretanto, os próprios animais domésticos são mortos para satisfazer as necessidades humanas, não havendo em tais circunstâncias nenhuma infração, mas, mesmo assim, o animal deve ser morto de maneira que os meios empregados não lhe causem mais sofrimento do que os naturais. Se, para abater um animal, o homem, ao invés de o fazer com rapidez e naturalidade, procura submetê-lo a torturas desnecessárias, pode, perfeitamente, ser punido por agir com crueldade. (…) “Entende-se que a morte ministrada a animal, por si só, sendo rápida, não constitui crueldade”.

DES. JOSÉ ANTÔNIO HIRT PREISS ” Quando freqüentador das ditas e chamadas casas de religião, das quais de uma eu fui dirigente, nunca vi alguém sacrificar um animal com crueldade. A morte é limpa e rápida.
Não existe esta de ecologista de final de semana dizer que em casa de religião se pratica crueldade contra animais. ”

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