Conceituando Religião

Quando temos tantos assuntos mais populares para abordar, sugerir “religião” como tema inicial evoca cheiro de naftalina e bocejos. É verdade! – E porque, antes de falarmos sobre assuntos infinitamente  mais interessantes como feitiços para proteger a sua casa, as conexões da Deusa Pele e a dança, ou o poder de uma simples benção, temos que passar por essa parte chata de religião?

A resposta simples é: Não tem, mas é interessante. Sem base, a torre não se sustenta, e se você sabe um bom básico, é capaz de construir mais rápido suas noções e vai ter um outro aproveitamento nessa caminhada mágicka que é o Paganismo.  Outra vantagem é que com o entendimento dos conceitos, ou seja, a “mecânica básica” do carro, fica mais fácil perceber um picareta de longe.

Então vamos tirar as teias de aranha e soprar o pó, e tentar achar um conceito que funcione para esse mamute peludo que é a Religião.

A religião, em sua origem etimológica, vem das palavras latinas religio / religionis, e essas palavras podem ter vindo dos verbetes em latim religare ou relegere, significando religar ou reler. Em um primeiro momento a idéia de Religião pode estar ligada à uma releitura ou um religar com um “algo”. E o que seria esse algo?

Alguns diriam Deus, ou a Natureza, ou a Força –  e nenhum deles estaria completamente errado. A religião é uma resposta humana à necessidade de conexão com conceitos e forças mais complexas que o gênero humano. Notem que eu evitei o uso da palavra “maiores”, uma vez que o conceito de tamanho evoca uma relação hierárquica que em via de regra, não se encontra necessariamente presente no conceito de religião, embora seja imensamente popular em religiões Abraâmicas.

Um outro conceito preliminar que precisa ser esclarecido é que o conceito de religião, quando aplicado à casos particulares, inclui sua organização e estrutura (como o clero e os laicos), e que esse papo de “a Religião é bonita mas a igreja é ruim” serve apenas para disfarçar (e mal!) os buracos dogmáticos, visto que a estrutura organizacional de uma fé é um reflexo de sua natureza ideal, e vice versa. Um não existe sem o outro, sendo interdependentes e complementares.

Uma religião precisa de Crenças. Se não tem crenças, não requer fé, e aí sim é uma filosofia de vida, um movimento artístico, qualquer outra coisa. Uma crença é algo baseado em valores não materiais e geralmente não tangíveis ou quantificáveis.

Uma religião geralmente requer uma Cosmogonia. Sem um belo mito  que considere a causa, a natureza ou o propósito do universo, da vida, e todo o resto, qual a graça? Os mitos podem ser simples ou complexos, podem observar em certo grau a origem das espécies e a ciência, mas no final das contas são um mito pela nossa própria incapacidade em elaborar uma explicação convincente para todas estas questões.

E o que seria da Religião sem as suas práticas devocionais e rituais? Estas reafirmam o dogma e o credo, irmanam os membros, e relembram os participantes em maior ou menor nível do(s) mito(s) envolvido(s).

Por fim, a religião possui um códice moral, que pode ser mais ou menos  imperativo, mas toda a religião possui um ethos que é desejado de seus praticantes.

Temos aqui os tijolos componentes da religião. Bom proveito 🙂

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