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Do respeito à res publica

Antes de mais nada, quero deixar claro minha posição pessoal sobre o tema: Respeito não se pede, se conquista.

Uma vez que isto reste claro, quero comentar um evento recente de que fui testemunha, em um parque público (bastante famoso até), que serve de ponto para a reunião de diversas correntes pagãs. Um lugar que justamente por ser público, deveria ser conservado por todos – e não porque “todos nós pagamos nossos impostos” ou outra justificativa pequeno-burguesa, mas pelo simples fato de ser um púlpito, um símbolo da liberdade democrática de reunião e de livre exercício religioso.

Não tenho o menor interesse de demonizar qualquer grupo que seja, por sua opção religiosa, iniciática ou acadêmica. Antes de mais nada sou Brasileiro e busco seguir a Constituição Federal e as Leis – e estas estabelecem, de maneira cristalina, o princípio da dignidade humana e os direitos pessoais e sociais.

Acho uma imensa tolice disputas sobre locais públicos: Entenda-se, o bem público federal não pode ser usucarpido. Criar conflitos sobre o tema é tão eficaz quanto Mefistófeleszinho, Boudiquinha e Aradinha brigando sobre quem é o rei da gangorra, ou do trepa-trepa – segundos antes de mamãe e papai chamarem para o banho e jantar.

Usar o chão de um parque como sua lousa, com tinta, não possui justificativa; querer se apoderar de res pública como se fosse o quintal de sua casa também não possui. Será a sanidade um artigo tão raro no meio pagão para que não seja usada com a frequência que deveria?

Apesar do local possuir nome de um templo, não o considero mais ou menos sagrado que o resto do mundo. Minha Deusa fez do mundo seu altar, e sendo o Brasil um estado laico (para desespero da maioria crescente de evangélicos e congêneres), não é factível apropriar-se de espaço público e fazer dele um templo. Uma coisa é escolher um local de culto, este amplamente protegido por legislação constitucional e infra-constitucional – outra é apropriar uma estrutura imóvel pública como templo. Um templo é um local permanente de reunião, fixo, pertencente à organização religiosa que o mantém. O local de culto possui natureza temporária, ainda que frequente em datas de celebração religiosa. Ou seja, como diz o vulgo: Uma coisa é uma coisa, outra coisa é…outra coisa!

Mas distancio-me de minha proposta original. A civilidade, traço que deveria ser comum a todos os bruxos, magistas, caoticistas, pagãos, druidas, hougans e outros tantos que excedem o elemento comum pela sua vivência, estudo, sabedoria e comprometimento com o homem, o mundo, e os espíritos à sua volta, parece tirar férias. Até quando, pergunto-me?

Peço que reflitam: A quem beneficia este conflito? Certamente não aos Deuses, ou a nós. O único que se beneficia é o povo que faz “béeee”, balindo em felicidade pelos sacerdotes dos Antigos estarem, uma vez mais, lutando entre si ao invés de se ocupar de uma imensa tribo que pede socorro – A tribo de terra brasilis.

Obituário: Isaac Bonewits

Hoje faleceu Philip Emmons Isaac Bonewits, um dos mais representativos Anciões do Paganismo. Nascido em primeiro de outubro de 1949, em Royal Oak – Michigan, Isaac Bonewits caminhou por diversas trilhas na senda pagã.

Sacerdote, Mago, Acadêmico, Autor de diversos livros, Bardo, Druida e Ativista, Isaac Bonewits fundou a “New Reformed Druids of North America (NRDNA)”. Participou por pouco tempo da Church of Satan, de Lavey, de onde saiu desapontado com a filosofia religiosa do Satanismo.

Fundou a Aquarian Anti Defamation League, uma organização civil voltada à defesa dos direitos de minorias religiosas, como Rosacruzes, Teosofistas, Neopagãos, Bruxas, Ocultistases, Astrólogos e outros.

Chegou a escrever suplementos para o RPG Dungeons & Dragons, como o “Authentic Thaumaturgy”. No começo da década de 80, participou da Ordo Templi Orientis na California.

Fundou a ordem druídica “Ár nDraíocht Féin”

Foi levado pelo câncer. Que descanse, em paz, nos braços da senhora de mil nomes. Que seu legado seja eterno.