Bruxaria Banguela

Uma das coisas que sempre me divertiu horrores no dogma Wiccano é a expressão:

“Eight words the Wiccan Rede fulfill, An it harm none do what ye will”

Quando comento que tal dogma me enche de bom humor e gargalhadas, não me refiro somente à má poesia causada pelo estertor de forçar rimas. Também, entre um riso de canto de boca e outro, não em refiro à tentativa de submeter o motto principal de Thelema a um imperativo moral subjetivo e maniqueísta.

A fonte de inescapável diversão é buscar uma opção primordial como a Bruxaria ou Paganismo e se recusar a ser sujo, intenso, politicamente correto e pasteurizado. Não há nada de polido no culto dos Deuses Antigos. Bem e Mal não surtem efeito em cláusulas contratuais para acalmar a culpa classe média do Sacerdote ou Bruxo. A contaminação da era do coitadismo deixou a Bruxaria Banguela.

Cada vez que um de nós aceita dar as mãos com um sacerdote cristão em uma bela cerimônia ecumênica, um canino fica solto. Quando assistimos impávidos os ignorantes reduzirem nosso culto a “um estilo de vida”, um molar cai. Quando usamos modelos e estruturas dos cultos abraâmicos para controlar nossos pares, criando Igrejas e um Imprimatur oficioso, a gengiva necrosa.

Na fé em que fui criado, não se troca liberdade por aceitação. Se você não pode vestir seu pentagrama em público porque é incapaz em lidar com a discriminação, você não baixa a cabeça e aceita que acadêmicos validem sua opção religiosa ou recorre a uma filiação a um grupo que tem mais política e empresa em si que Fé e Magick.

Imaginem a minha alegria em achar este texto em que o autor expande este conceito muito melhor do que eu poderia, neste momento. Claro que discordo quando o autor escatologicamente aponta o presente como a “morte da Wicca”, mas entendo que ele se refira ao vácuo de valores tradicionais. Também o ambientalismo exacerbado me incomoda, mas embora exagerado, o cenário que é pintado não é incorreto.

Em um ponto do texto, o autor exorta a necessidade de se confrontar a Morte:

Confront death, not by pretending that a beautiful Beltane ritual and a blue sky means everything will stay the same. Confront death, not by practicing the magic of ploughmen and wortcunners in your urban apartment believing that it makes you more authentic than any given Wiccan. We need to stop making those closest to us our sworn enemies. The game has changed

Pergunto-me quando a turma do Paganismo Paz e Amor vai entender que os inimigos da Fé existem e não se resumem a discípulos de Bolsonaro, o Feliciano, ou simplesmente a poluição. Enfrentar a morte e entender o pouco tempo que temos em Gaia deveria ser pré-requisito para dedicação, assim como uma postura fora do confortável sofá de internet, seus forums, e a bruxaria faz de conta.

Por uma Bruxaria menos Banguela e mais Suja.

 

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