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O Pantáculo do iniciado

Se deseja saber como estão suas defesas, e auditar o seu caminho mágicko, podes utilizar uma técnica que chamo de pantáculo do iniciado (que original!) =)

  1. A primeira ponta é a Terra:
    Seu corpo é seu veículo. Como está a sua sobrevivência? Como você se alimenta? Há alguma desordem alimentar? Você se mantem hidratado? E seu sono?
  2. A segunda ponta é o fogo:
    Como está a sua integridade? Você se mantém em Segurança?. Você sofre ataques físicos, mentais, ou emocionais? Você é capaz de se defender?
  3. A terceira ponta é o Ar:
    Como andam seus relacionamentos? Como está a comunicação com os outros seres? Suas palavras são compreendidas da maneira que você deseja?
  4. A quarta ponta é a Água:
    Como anda sua auto estima? Você se sente amado? Socialmente aceito? Possui amizades? Seu relacionamento com a família, como é?
  5. A quinta ponta é o vazio:
    Como anda sua Vontade? Você se sente realizado em suas escolhas? Existe algo que você PRECISE e não tenha conseguido?

道 地府 Capítulo 1 – O mistério do caminho no submundo

Introdução:

Buscando registrar minhas experiências ao trilhar o submundo, decidi iniciar um log chamado 道 地府, onde colocarei minhas idéias, percepções, e conceitos. Embora esse registro seja criado primeiramente para benefício dos meus pares do CDC, acredito que possa vir a ser útil para outras pessoas, por isso deixo os registros como públicos.

Fica a advertência que quando falo de “submundo”, falo sob o contexto de bruxaria dracônica, e não sob o prisma puramente xamânico. Da mesma maneira, não falo de submundo sob uma mitologia semítica, como morada de maus espíritos dou destino final dos espíritos dos falecidos.

Usarei como guia base experiências despertadas na leitura do Tao e em meditações e experiências. Não reproduzirei aqui detalhes sobre os ritos empregados – caso haja a necessidade de conversar sobre tais minúcias, eu posso ser contatado  através dos comentários.

Capítulo 1.

O caminhar no submundo é uma experiência profundamente pessoal e subjetiva; palavras não conseguem se aproximar das sensações e emoções do trilhar. De maneira semelhante à nossa próxima mente, aquilo que não se enxerga ocupa parte maior do que é percebido.

O submundo é uma passagem mimética que reproduz correntes presentes no espírito e mente daquele que o trilha.  Embora o mesmo seja morada de diversos Deuses, espíritos, elementais, ancestrais e tantos outros seres telúricos, absolutamente nada que se mostra no cenário existe fora daquele que ali caminha.

Isso não quer dizer que o submundo não existe por si só; apenas que ele existe como uma camada que permite a interface do espírito humano com certas forças que seria muito mais difíceis de acessar em outras paragens.

Da mesma maneira que o id não é a mente, a linguagem não é o submundo. O caminho a ser desbravado é antigo e primevo, e qualquer nome que possa ser atribuído trata-se apenas de um estertor de uma mente mamífera diante do vazio.

A linguagem dos espíritos não se exprime através de caracteres que representam sons ou idéias, mas através de um espectro de emoções e sensações. Especial atenção deve ser dispensada aos chacras básico e cardíaco, que se tornam os mais ativos nesta jornada.

Ao iniciar meu caminho no submundo, diante dos umbrais, ficou claro à mim no portal a dança da criação, a interação das águas na forma de dois dragões orientais entrelaçados, um branco e um preto. A dança, tão antiga quanto o universo, vai muito além do hiero gamos ou da interação entre positivo e negativo.

Um dos nomes mais antigos de Tiamat é o vazio; um dos nomes mais antigos de Apsu é Amplitude. Embora nesta armadura de carne a visão seja turva, nela podemos contemplar a dança do vazio e da amplitude, de Hadit e Nuit, do ponto e do círculo, sístole e diástole, anabólise e catabólise. Tal dança é a emanação e reverberação da interação de Tiamat e Apsu.

O símbolo também são os pilares maçônicos; o caduceu iniciático; o hieróglifo da senhora do Heka, entre tantos outros. Diante do umbral de marfim e ébano, me detive e contemplei o maior dos segredos aos olhos de qualquer viajante, em um batente de porta – Vau.

Aprendendo com Dragões – Parte 2 – Aprendendo a dividir.

No texto anterior, apresentei de maneira breve o que é trabalhar com Dragões sob a ótica da Bruxaria Draconiana. Se você ainda não leu, peço que gaste cinco minutos do seu tempo para se familiarizar com o tema (disponível em https://gaiapaganus.wordpress.com/2016/06/09/aprendendo-com-dragoes-parte-1-introducao/). Sem excessos, a Bruxaria Draconiana é um tema pouco desenvolvido e difere significativamente da Bruxaria Tradicional; trabalhar com Dragões pode ser uma experiência bastante demandante e até traumática para alguns.

Você ainda está aqui conosco? Ótimo.

Costumo dizer que não se “opera” magia. Não se escolhe como um tempero no armário, ou se aprende como uma matéria de escola. Se a magia não transforma e é transformada quando a interface Bruxo – Magia – Mundo é formada, então não é magia: É PNL, é Teatro, é qualquer outra coisa, mas não é Magia. Sabendo-se disso, como se dá o processo de se utilizar (e alguns diriam “ser utilizado pela”) Bruxaria Draconiana?

A Bruxaria Draconiana possui uma característica que a diferencia de todas as outras: Não se faz magia com Dragões, uma vez que são seres de pura magia: a magia ocorre por causa, e através de Dragões.

Vamos refletir por um momento o que isso significa. Diferentemente de outros caminhos em que o Bruxo amealha conhecimento para mudar sua percepção e exercer sua Vontade através de técnicas diversas, na Bruxaria Draconiana o Bruxo trabalha em grupo… com pelo menos um ser mágico ao seu lado, que não compartilha de seu idioma, um corpo físico, ou sequer da psicologia humana. Existem aí diversas barreiras, entre elas a vaidade do Bruxo que às vezes não se encontra pronto para ceder o holofote para outro.

Neste caminho, saber ouvir é essencial. Ouvir não só a terra, os astros, e os espíritos, mas a voz que se manifesta na conexão íntima onde dois cavalgam a mesma montaria, ou na partilha do que há de mais sagrado para ambos. Se o Bruxo é uma lâmina afiada, os punhos que a empunham são os do Dragão que o acompanha. E para não resistir e ao mesmo tempo não perder todas as características que fazem o Bruxo único e valioso, é preciso uma boa dose de fé.

A fé, no final das contas, serve de ponte a ligar dois mundos de escalas muito diferentes, A fé vira a única ponte possível sobre o abismo, a corda lançada de cima, as asas que impulsionam do micro para o macro. Se encontrando no meio, Bruxo e Dragão podem finalmente travar uma conversa e se olhar nos olhos. Neste momento, fica claro que Dragões não se ocupam de sua estabilidade financeira, ou se seu afeto é correspondido. Do que se ocupam Dragões, então?

Dragões se ocupam em moldar aquela alucinação consensual a que chamamos de “realidade”. Guardiões da Magia e dos tesouros da terra, seus caminhos são os das grandes batalhas e das mudanças que afetam mais do que esse pequeno orbe jogado num canto da via láctea. Ao mesmo tempo, seus caminhos se entrelaçam com a humanidade – que hoje pode ser pequena e mesquinha, mas carrega em si a semente que os Dragões carregaram outrora.

A Bruxaria Draconiana opera através da associação de diversos fatores pessoais e transpessoais:  a sintonização da vibração (por falta de melhor palavra) do espírito do Bruxo, da integridade de sua Vontade, de sua capacidade Mágicka, seu treinamento, sua disciplina, sua inteligência e sensibilidade emocional e por fim sua conexão com o Dragão com quem trabalha.

Isso é radicalmente diferente de apenas visualização criativa, magia simpática, ou desejar algo. Para caminhar e aprender com Dragões é necessário ter o coração em dois mundos, e os dois pés bem plantados nos caminhos deste mundo. E aqui encontramos a primeira grande dificuldade deste processo de aprendizado: Possuir ao mesmo tempo todo o idealismo de um sonhador e a grandeza de espírito a fim de atrair um Dragão, e ao mesmo tempo não ser um tolo deslumbrado com moinhos de vento, que possa ser um instrumento útil ao irmão escamoso.

Para trabalhar junto a um Dragão, devemos abandonar toda e qualquer característica de “lobo solitário” que a Bruxaria tenha nos despertado ou aumentado. Querendo ou não, seremos apenas mais uma ferramenta de tantas outras que são utilizadas neste plano, e uma boa ferramenta nunca deve atrapalhar as mãos do artesão. E mesmo que sejamos os únicos a trabalhar com determinado Dragão, embora seja raro, é sabido de Dragões que trabalham em conjunto de tempos em tempos.

Para que o trabalho transcorra em harmonia, é preciso que o humano se torne um pouco mais Dragão, e o Dragão compreenda o coração humano.

Até a próxima!

 

Aprendendo com Dragões: Parte 1 – Introdução

Há mais ou menos oito anos atrás, fui convidado a palestrar no ESP-RJ. Adoraria dizer que o convite se deu por causa da minha inteligência ou capacidade, mas isso seria uma mentira das grandes. Fui convidado porque era um dedicado disponível no Rio e os elders não dispunham de recursos para se deslocar até aqui no momento.

O assunto era fácil e gostoso: uma breve conversa sobre a Bruxaria Draconiana e nosso culto à Tiamat. Tive a companhia de meus irmãos de dedicação e ao final do bate-papo, fomos cercados por uma série de ouvintes querendo saber mais sobre Bruxaria Draconiana. Eram todos de diferentes caminhos e experiência, e polidamente os encaminhamos a nosso Elder à época. Foi a primeira vez que vi o frisson que o caminho draconiano causa na Bruxaria, e até hoje me questiono de onde vem tanto interesse por um caminho tão exigente.

Meus questionamentos pouco importam diante da vontade de aprender. Talvez, entre tantos, alguns sejam tocados como fomos, e transformem sua vida em algo mais digno dos Antigos Deuses. Quem sabe entre os que buscam os Dragões, alguns corações pesem mais que uma pluma, e verdadeiros laços de irmandade sejam criados. Por esta razão, decidi escrever sobre minha caminhada ao lado de Dragões, os vôos alçados, e as conquistas alcançadas. Sobre as derrotas, perdoem-me, mas esse é um assunto a ser partilhado ao redor do fogo com irmãos.

Os Dragões são famosos pelos mitos criados ao seu redor: Monstros terríveis, de couraça quase invulnerável, garras afiadas e sopro ígneo. Guardiões de tesouros, poderosos em sua magia, mais velhos que continentes inteiros, nobres, e terríveis em sua fúria. Quase todo povo possui uma ou mais lendas sobre os Dragões: Sejam como vilões, mestres, ou até raramente heróis.

Tudo isso é verdade.

Hollywood e um tanto de autores fizeram um bom trabalho em caracterizar essas facetas dos Dragões. O que não é dito, como sempre, se torna mais importante do que aquilo que é. Um dos tesouros guardados pelos Dragões é algo vivo, que cresce e muda, e deve ser nutrido e moldado como uma plantação ou pomar, e que se encontra dentro de cada ser vivente, visível ou invisível. Para este fim, os Dragões, ferramentas dos Deuses Antigos, se aproximam em raras ocasiões de uma curiosa espécie de macaquinhos pelados, fascinada pelos seus paus e pedras, e escolhem alguns dos seus.

Se tiver sorte, esse macaquinho irá conviver com este Dragão por muitos e muitos anos, sendo sua ferramenta no mundo de Gaia – e aprenderá muito com seu mentor. Serão lições destrutivas, belas e poderosas como uma erupção vulcânica; serão reflexões tão profundas quanto o oceano e variadas como as estrelas. A isso, chamamos de Bruxaria Draconiana.

Existem muitos e muitos caminhos na Bruxaria Draconiana, uma vez que um Dragão nunca é igual a outro. A senhora de mil nomes é perfeita e nunca precisa criar algo duas vezes, pois cada uma de suas criaturas faz exatamente aquilo que foi criada para. A mãe dos monstros não cria para a humanidade, mas para as estrelas, os elementos químicos, as subpartículas e coisas que nem temos palavras para. Nossas pequenas mãos e sentidos cuidam daquilo que estão em nossa escala.

Tive irmãos curandeiros, irmãs guerreiras, necromantes, e mestres que oravam com a boca de espíritos longínquos. Em toda a diversidade da criação, há um Dragão. Em cada caminho, se soubermos escutar, há um professor.

O problema maior neste caminho é algo que não pode ser medido por nossos pequenos sentidos: o coração. Dragões escolhem não pela beleza das palavras ou do brilho do intelecto; pouco importa formas belas ou corpos poderosos, ou nosso domínio na magia: Apenas o que nos anima, o que ruge em nosso peito, pode ser ouvido. Uma fábula moderna que conta bem esse olhar é o filme Coração de Dragão, com Sean Connery.

Para aprender com Dragões é necessário deixar as macaquices de lado. Tudo o que nos apegamos em nossa humanidade, como nosso ego, nossos sonhos, relacionamentos, vaidades, orgulhos e dores, devem ser menores que nossa Vontade em sermos instrumentos dos Deuses Antigos e carregar suas mensagens, ser seus braços, olhos, e ouvidos. Isso, meus caros, é testado de maneiras escabrosas e inesperadas.

Aprender com Dragões não é fazer uma meditação guiada e encontrar uma lagartixa gigante. Não é ficar dentro de casa e abrir um círculo com uma estatueta comprada no mundo verde e sentir uma presença forte. Dragões podem caber num dedal ou serem tão vastos quanto um hemisfério – não é o tamanho ou a forma que falam sobre o Dragão, mas sim as suas obras. Dragões levantam os mortos e enfrentam Deuses; fazem-se tão pequenos que podem mudar algumas células e salvar uma vida, e levam esperança quando não há nada além de sombras e pó. Não há nada impossível para um Dragão.

Aprender com eles é tornar-se digno deste esforço. É não deixar nada intocado em sua vida: corpo, mente, espírito, emoções – tudo será examinado, destruído, reconstruído, moldado, e posto à prova. Por este motivo, volto à minha questão inicial: Por que tantas pessoas buscam este caminho?

Talvez porque estejamos mais necessitados de sua cura do que gostaríamos de admitir.

No próximo texto falarei sobre os Deuses Antigos sob a visão Draconiana. Até lá!

O inimigo do Paganismo.

Costumo dizer que no Paganismo Draconiano só há espaço para o culto aos Antigos Deuses e mais nada. Se você deseja misturar ambientalismo, questões de gênero, política, ou algo deste tipo que vá o fazer longe de um altar. O altar não é palco para vaidades políticas ou movimento social onde se despeja suas inseguranças e teorias sobre o mundo, o altar é um local de culto ao sagrado e aos Deuses. Digo isto com pureza d’alma, da maneira que critico os bispos e pastores das ovelhas fazendo o mesmo – afinal, no Paganismo Draconiano não há espaço para dois pesos e duas medidas.

Em um país em que a Wicca é regida por três ou quatro panelinhas que produzem mais política que a bancada do PMDB e PT juntas, e que bate palmas pra aberração que são ciganos indo pra passeatas de orgulho pagão, isso não faz de mim o ser mais popular. Excelente, uma vez que não estou aqui pra fazer amigos.

Coloque nesse caldo o fato de ser homem, heterossexual CIS e temos aí uma receita para o desastre. É algo bastante interessante, que me coloca em uma posição de “minoria” dentro do Paganismo, e faz que calce os sapatos daqueles que habitualmente são minoria no mundo profano.

Se você não concorda com nada do que eu escrevi, ótimo! Se você deseja continuar falando que Paganismo não é religião, é seita, ou que é um “estilo de vida”, que acredita em um Deus ou Deusa única (todas as outras seriam faces desta – os Jesuitas mandam lembranças e puxam um amém lá do fundo da sala), parecida com um Jesus de saias que é amor, homossexual, poliamorista, vegan, abraçadorx de pandas, por favor, não permita que eu o impeça – O Paganismo é livre. Apenas pare de ler por aqui, uma vez que claramente este texto não é para você.

Não parou? Ótimo. O Paganismo Draconiano é isso: passa ao longe do politicamente correto e não vê o conflito como algo ruim. Ainda, fala de leis naturais sem falar de ecologia (ó, o atrevimento…). Vamos fazer um teste pra ver se você deveria estar aqui mesmo?

“O homem possui primazia na força física nos membros superiores, e a mulher geralmente é mais gordinha”.

Se você está espumando pela boca enquanto prepara as tochas e os facões, bom, isso prova que você realmente não deveria ter continuado a ler. O parágrafo acima é ciência – o juízo de valor quem está fazendo é VOCÊ. E este juízo de valor, meus caros, acaba sendo o verdadeiro inimigo das fés Pagãs em Terra Brasilis.

O problema não é nem nunca foi a liderança x, y, ou z. O inimigo não é este ou aquele coven Wicca. Eles estão lá, trabalhando do jeito deles. Se fofocam, ou fazem politicagens, é problema exclusivo deles e dos Deuses que cultuam. O problema é a tacanhice, a falta de estudo e prática que se abateu sobre o Paganismo Brasileiro. Essa ignorância, esse miasma alimentado por uma cultura ensandecida de copiar/colar/compartilhar emburrece e limita, tornando o Paganismo uma fonte repetidora de erros históricos e visões míopes, embrulhada por valores regurgitados pelas grandes editoras e seus autores prostituídos.

O inimigo, neste caso, não é o homem e seu patriarcado, ou o caráter opressor do macho heterossexual: São os conceitos trazidos por aqueles que se dizem Pagãos e ameaçam muito mais que todos os Católicos e Evangélicos juntos.

Qual foi a última vez que você experimentou por si próprio(a)? Quando participou de um encontro entre Pagãos sem lojinha, entrada, ou patrocínio? Pense nisso. Cada vez que você endossa um grupo pra te representar, sua voz se cala e o poder dos outros aumenta. E poder, meus caros, corrompe.

A Divinis Draco

Por estes dias, uma mulher perguntou o porquê da minha opção em utilizar o termo “dracônico” ao qualificar tudo aquilo que possua relações de afinidade e pertença aos Dragões.

Antes de mais nada, é necessário esclarecer que não considero o uso ou escolha de palavras pouca coisa. Se o universo foi criado por uma canção, e o nome é o primeiro passo para conhecer, as palavras possuem uma magia própria que deve sempre ser respeitada.

Quando se propõe uma escrita diferente para um termo, trata-se de um trabalho quintessencialmente mágicko, de alteração de egrégora, indo muito alem de mera adequação à esta ou aquela filosofia ou regra culta de linguagem.

Algumas vezes esta alteração é virtuosa, e em outras visa fracionar e subverter tais egrégoras a fins mais humanos que divinos, tentando encaixar uma falange celeste em visões por demais limitadas e humanas. O resultado geralmente é um aborto que pouco guarda em comum com o nomeado original, mas isso dever ser avaliado e descoberto por cada um ao seu devido tempo.

Vamos às possíveis origens da palavra:

drákōn (δράκων)

A palavra grega vem do genitivo drakontos, que remete a serpentes e guarda relação com o vocábulo derkesthai – δέρκομαι  (“ver de maneira clara”).

É também citada como origem grega o nome próprio do arconte e legislador (Drácon ou Δράκων) que em 621 A.C condenava à morte criminosos culpados de roubos e assassinatos. Devido à severidade deste legislador, a palavra chegou aos tempos modernos como sinônimo de desumano, excessivamente rígido ou drástico.

Vamos analisar com um olhar diferente esses sinônimos:

  • Para aqueles que já tiveram a chance de trabalhar com Dragões, verão que caracterizá-los como “desumanos”, no sentido de não possuir ou expressar características humanas, não é exatamente um erro.
  • Quanto à rigidez, faço a comparação com um atleta profissional: para nós sua rotina de exercícios e alimentação seria rígida, mas para ele é apenas o necessário para que possa atingir os seus fins. Quando falamos de sua “moral”, vindos de uma sociedade cheia de torpitude como a nossa, parece um tanto óbvio que chama-los de rígidos é praticamente um elogio.
  • Por fim: drástico: de propriedades eficazes. É, corretíssimo 🙂

Pessoas “sensíveis” parecem ser incapazes de resignificar um termo com características de desumanidade, rigidez, e etc.  Para estes, talvez o caminho Draconiano não sirva, uma vez que parecem se preocupar mais com a aparência do que com a essência. Um Dragão não deve nunca se sujeitar a maré da doxa humana.

À guisa de expandir as possíveis origens do vocábulo, seguem algumas palavras:

draconem

A palavra latina vem do nominativo draco, que significa “grande serpente”.

Draca

Inglês arcaico para “grande serpente”ou “monstro marinho”

Estrelas (Constelação de Draco)

Dragao_UrsaMenor_img[1]

Constelação vista do hemisfério norte, circumpolar. De acordo com este site:

Existem algumas lendas antigas relacionadas com esta personagem, sendo associada a vários dragões diferentes presentes em mitos gregos, por vezes identificando até exatamente o mesmo monstro em diferentes contextos; estas contradições explicam-se devido ao facto de estas lendas terem origem em autores clássicos distintos que, de forma independente, se dedicaram a explicar a presença da personagem no céu.
   A mais conhecida de todas é a que refere ser este o dragão que guardava as maçãs de ouro do Jardim das Hespérides, num dos episódios dos 12 trabalhos de Hércules. O herói mítico conseguiu matar (ou, noutras versões, adormecer) o dragão e colher as maçãs, tendo a deusa Hera colocado então a imagem do monstro no céu.
   Outra lenda grega conta que este seria o Dragão da Cólquida, morto por Jasão para que o herói mítico conseguisse obter o Velo de Ouro. Um mito menos conhecido, de entre ainda muitos outros, conta que este teria sido o monstro morto por outro herói mítico grego, Cadmo, fundador da cidade de Tebas, para conseguir alcançar uma fonte num bosque sagrado guardado por um dragão.
Como podem perceber, todas estas lendas apresentam outra característica essencial do Espírito Dracônico: A guarda daquilo que é sagrado aos Deuses.
Ainda, para os antigos Babilônicos, a estrela norte era Thuban (por volta de 2.700 AC), que era também chamada de “cabeça de Tiamat”. Para os egípcios, essa estrela, usada como referencial na construção de algumas pirâmides, era chamada de imortal ou imperecivel.
Conclusão
Por todos estes motivos eu prefiro a grafia Dracônico. Lembra com propriedade todos os valores que busco atingir e ao mesmo tempo me lembra que o caminho de um Dragão nunca deve ser orientado pela busca da popularidade.

Sobre Natal e Paganismo

Em minhas caminhadas sobre Gaia, nunca escondi o apreço pelos meus tantos professores, em especiais os que foram capazes de mudar minha forma de pensar e de me relacionar com o mundo. Na seara do Budo, um antigo Sensei mostrou-me que apenas reagir ao ambiente à sua volta é muito ruim.

Explico: quando se apenas reage, o outro pauta o seu ritmo e a sua percepção do mundo à sua volta, inclusive de ataques ou pretensos ataques. O ideal é movimentar-se pelo mundo relaxado, com a mente em zanshin e a percepção aguçada, sem interpretar o que vê.

Isso (zanshin) é exatamente o que não tenho visto no último capítulo do burburinho Pagão, ao ler todas as respostas a um post que dizia que a tolerância não podia ser de mão única, em especial no que tange a comemoração de feriados religiosos como o Natal. Vamos aproveitar o convite ao debate e expandir a questão que merece ser examinada.

1. Estamos falando da opinião de um indivíduo que deixa muito clara a importância que dá a si próprio e suas próprias palavras, em especial pelos seus atos (quem não se lembra das diversas vezes que o mesmo se colocou como representante da Bruxaria e Wicca tupiniquim?). Lembremos que com todo o holofote e purpurina que o mesmo gosta de despejar sobre si, tudo que ele fez foi externalizar sua opinião, fato salutar e ilustrativo para todos. Discutamos a opinião, não a pessoa.

2. Tolerância não se pratica como moeda de troca, da mesma maneira que a caridade. Sei que isso é de difícil aceitação por alguns, mas a prática da tolerância engrandece o praticante, a despeito de ser uma via de mão dupla ou não. Condicionar a prática da tolerância na própria família a uma retribuição é uma postura pequena, ávara, e egoísta. Infelizmente essa postura é tudo que alguns tem, e devemos respeitar os limites de cada um.

3. Tolerância é uma escolha: Não se trata de obrigação ou cânon religioso. Aquele que aceita um convite para partilhar a comida de um festival religioso apenas para aproveitar o convívio dos entes queridos não é mais ou menos Pagão que qualquer outro, uma vez que somente aos Deuses Antigos é dado conhecer o íntimo de cada um.

4. Talvez o que o malfadado autor do infeliz comentário tenha querido dizer é que o Pagão que precisa, ou celebra o mistério do aniversário do Nazareno, não é Pagão. Neste caso, sou obrigado a concordar que aquele que encontra em seu coração espaço para Iesus não é um filho dos Antigos Deuses, e possivelmente tem problemas cognitivos de grave monta.

5. De qualquer maneira, voltando ao conceito de zanshin, deixar que a opinião de um tolo paute as ações ou reações de qualquer um é um imenso desperdício de energia. Há de se compreender o ego machucado que exige popularidade e buzz como muletas para a fratura da auto estima, sem se permitir ser arrastado para esse foco de pestilência de bate-boca em redes sociais.

6. Concluindo: um tolo provavelmente irá espumar pela boca e ordenar que o siga, mas suas opiniões só terão poder sobre os que decidem seguir os seus passos. Deixemos o caminho dos tolos e dos sábios a cada um, e cuidemos dos nossos, sem se arvorar porque um ou outro se dão o direito de conferir diplomas de Paganismo aos seus asseclas.

Em sorrisos e tolerância,

Kalamar Nur

Da Importância da Pesquisa

Dada a escassez de transmissão de conhecimentos, é por demais comum que bruxos, magos, aprendizes e etc. tenham que suplementar seus conhecimentos através de pesquisas na internet. E não saber como pesquisar, algo que deveria ter sido aprendido no ensino básico, pode macular todo o processo de aprendizado.

A pesquisa não é uma dificuldade, é uma chance de aprender coisas novas. A finalidade do conhecimento não é só adicionar novos dados ao que você sabe, mas também expandir o seu próprio processo de aprendizado, e frequentemente fazer você refletir sobre o que pensa que sabia.

O primeiro passo é o planejamento: O que você deseja pesquisar, e quais os limites disso? Onde você dever parar? Uma linha de pesquisa grande demais não tem fim, vai consumir o seu tempo e provavelmente você irá se desinteressar e não vai completar nada.

Perguntas simples podem te auxiliar neste momento: O quê? Quem? Onde? Quando? Como? Por quê? O que sei a respeito? Este tema é parte de algum tema maior? Qual é o assunto principal?

Uma vez que tenha estas respostas, construa um roteiro para sua pesquisa. Estabeleça os pontos que são importantes, as definições que busca, e aquilo que é interessante.

Escolha suas fontes criteriosamente. Se você não tem ideia de onde encontrar as fontes de sua pesquisa, comece por um Dicionário ou Enciclopédia que trata assuntos e conceitos de forma mais ampla. Ali você encontrará indicações sobre onde ler mais sobre o assunto. A partir do que ler terá informações para chegar a livros/sites/artigos mais específicos.

Conclua. Feche sua pesquisa. Use esse momento para consolidar o que aprendeu, com suas palavras. Não esqueça de guardar a bibliografia – que é a relação dos livros que utilizou – ela é sempre muito importante, pois você estará mostrando onde buscou as informações para elaborar seu trabalho e também porque permite que as pessoas que o estiverem pesquisando possam aumentar seus conhecimentos procurando essas mesmas fontes.

Do sacrifício de animais

O assunto da vez parece ser a pertinência ou não do sacrifício de animais na Bruxaria. Seguem meus dois centavos sobre o tema: SOMENTE minha opinião, não a verdade cósmica. Não falo por uma Tradição de 3585747892 seguidores, ou pela Bruxaria, mas pelo que se encontra em meu coração, ok?

Acho impensável alguém defender crueldade contra animais. É de uma vilania terrível. Temos mesmo que nos mobilizar de maneira consistente para lutar contra isso.

No entanto, parei para refletir com um pouco mais de atenção e vi uma série de inconsistências que me deixaram intrigado. Daí, procurei pesquisar o tema (infelizmente, de maneira breve) e decidi escrever minhas (primeiras) considerações:

1. Apesar do nome, abatedouro não é, para a legislação, um simples lugar onde se abate animais. Se fosse assim, cada dono de sítio e fazenda que não sejam agronegócio deveriam ser enquadrados no tipo penal (erroneamente) citado por aqueles que condenam o sacrifício de animais. Para ser considerado matadouro há a necessidade de posterior de revenda da carne.

2. A legislação federal, que data da época de Vargas, não proíbe o abate para consumo, mas “VI – Não dar morte rápida, livre de sofrimento prolongado, a todo animal cujo extermínio seja necessário para consumo ou não;” Não se deve interpretar a lei para beneficio próprio, nem ser mais severo que o legislador;

3. A presunção de não saber se a carne se encontra saudável é digna de consideração. No entanto, se todos os membros do rito forem maiores e consentirem, pergunto-me quem seriam as vítimas do ato atípico;

4. Quando se diz que a maioria define o que a Bruxaria é ou não, entramos aqui em terreno deveras perigoso. Se vamos adotar a regra da maioria para a definição do que é bruxaria, acredito que a Cristandade infelizmente há de ganhar e por conseguinte terei que colocar um Cramunhão no meu altar  Emoticon smile

5. Saúde publica como já diz o nome, é realmente do interesse de todos mesmo. Seguindo a exortação do “dedurismo” evocado nas mídias sociais, acho que deveríamos também denunciar quem não usa camisinha em rito sexual pro MP pelo mesmo motivo, tipificado no CP. E quem usa ervas em braseiros sem extintores por perto. Afinal, podem causar um incêndio. Seria interessante também denunciar o consumo de psicotrópicos em ritos xamânicos. O charlatanismo de outros tantos. O estelionato de outros. E por aí vai – só que tal postura fala mais da sanha de policiar o culto alheio do que proteger a saúde publica, uma vez que tal preocupação não parece se espelhar no hamburger ou picanha que comemos.

6. Alias, os abatedouros ditos LEGAIS são estes sim, um antro de crueldade. E comemos para viver. MAS Matar sem crueldade para comer e honrar os deuses não pode, deixar que matem com crueldade so pra comer pode. Não parece hipócrita e contraditório?

7. Os últimos que vi equivalerem o sacrifício de animais com crueldade animal (tamanha simplicidade na analogia só pode demonstrar rasas faculdades mentais ou má fé) foram os evangélicos, quando começaram a perseguir as religiões de matriz africana. Jamais esperaria isso daqueles que seguem o Paganismo.

8. A admissão de sacrifícios ou não na Bruxaria se dá por história, tradição, e prática, e não pelo imprimatur de um ou de outro. Seria salutar lembrar-se de seu lugar no mundo antes de outorgar-se procuração para falar em nome de toda uma fé, em hubris.

9. Se eu quisesse seguir exemplos do Hinduísmo, Budismo, Judaísmo, e cristianismo, teria me convertido a estas fés. Sou Pagão, e sigo meus ancestrais.

É isso. espero que fique clara minha postura sobre o tema, e não sobre a pessoa de x ou y.

Kalamar Nur – O assunto da vez parece ser a pertinência ou não do…

Em defesa desta linha, um pouco de doutrina não faz mal:

CELSO ANTÔNIO PACHECO FIORILLO (Curso de direito ambiental brasileiro, p. 95, São Paulo: Saraiva, 1995)

“…resulta claro que, no aparente conflito entre o meio ambiente cultural e o meio ambiente natural, merecerá tutela a prática cultural – no caso, sacrifício de animais domésticos – que implique “identificação de valores de uma região ou população”. Bastaria, a meu ver, um único praticante de religião que reclame o sacrifício de animais para que a liberdade de culto, essencial a uma sociedade que se pretenda democrática e pluralista, já atue em seu benefício. Dir-se-á que nenhum direito fundamental se revela absoluto. Sim, mas o confronto acabou de ser revolvido através do princípio da proporcionalidade. Ao invés, dar-se-ia proteção absoluta ao meio ambiente natural proibindo, tout court, o sacrifício ritual.”

Paulo Lúcio Nogueira – : “A lei procura proteger os animais domésticos e os selvagens domesticáveis, excluindo apenas os daninhos. Entretanto, os próprios animais domésticos são mortos para satisfazer as necessidades humanas, não havendo em tais circunstâncias nenhuma infração, mas, mesmo assim, o animal deve ser morto de maneira que os meios empregados não lhe causem mais sofrimento do que os naturais. Se, para abater um animal, o homem, ao invés de o fazer com rapidez e naturalidade, procura submetê-lo a torturas desnecessárias, pode, perfeitamente, ser punido por agir com crueldade. (…) “Entende-se que a morte ministrada a animal, por si só, sendo rápida, não constitui crueldade”.

DES. JOSÉ ANTÔNIO HIRT PREISS ” Quando freqüentador das ditas e chamadas casas de religião, das quais de uma eu fui dirigente, nunca vi alguém sacrificar um animal com crueldade. A morte é limpa e rápida.
Não existe esta de ecologista de final de semana dizer que em casa de religião se pratica crueldade contra animais. ”

Respeito, mentiras, e amor.

“Antes de mais nada, não minta para si mesmo. Aquele que mente para si mesmo e ouve sua própria mentira chega num ponto em que não consegue distinguir a verdade dentro de si, ou à sua volta, e dessa maneira perde  todo o respeito por si e pelos outros. E sem respeito, ele deixa de amar.”
Fyodor Dostoyevsky (Irmãos Karamazov)

Ontem participei de uma roda informal de gente de todo que é tipo de caminho falando de respeito.  Gente bruxa, gente pagã, gente heathen – um papo plural, como deve ser no meio Pagão. Um dos assuntos levantados foi a sempre onipresente fogueira de vaidades e as incongruências entre o discurso público e a vida privada.

Só a necessidade de se entabular uma conversa destas já serve de termômetro para o atual estado das coisas. Em um ambiente civilizado e maduro, não há o que se discutir sobre a seara alheia: cada um faz aquilo que acha melhor para si e seu coven, grupo, clã, o que seja. Só que quando meia dúzia de inseguros começa a assinar carteirinhas e diplomas e doutrinar seus seguidores a fiscalizar o culto alheio, temos um problema.

Vamos partir do pressuposto necessário para qualquer discussão e dizer que não fazem por mal. Que não há ali um iota de vaidade pequena, de projeto de poder, ou sequer de uma busca doentia pela popularidade fácil. Pelo bem do diálogo, vamos assumir que seja genuína a vontade de proteger os demais das “fraudes”e dos aproveitadores, gente pequena que usa a Bruxaria e o Paganismo para forrar suas camas de carne e de notas, e vestir seu espírito puído com a seda da adulação.

A forma empregada é condenável e acima de tudo, uma traição aos princípios não escritos de liberdade, verdade, e fraternidade que deveriam unir os Bruxos e Pagãos. Nós, que vivemos nas sombras de uma sociedade doente e repressora, pagando nossas contas com uma moeda cunhada com louvores a um Deus que não é nosso, vendo nossos escassos direitos sendo corroídos por filhos do crucificado, ainda temos que nos proteger daqueles que vestem nossas cores e professam os mesmos nomes sagrados – mas estão em nosso meio para segregar, roubar, e destruir.

Mas será que o caminho para isso é usar a forma do opressor? Vestir a hierarquia de roma, e registrar bruxos em listas de Schindler? Não é este o primeiro passo para a capitulação? Ao lutar contra os comerciantes que se apropriam das vestes de sacerdotes (e bruxos!), usar as armas pequenas da fofoca e da traição para dividir ainda mais nós que somos tão poucos?

Onde queremos chegar com isto tudo, é a pergunta que faço. Quando será o suficiente? Quando perdermos a pluralidade que nos faz tão grandes, e a liberdade que nos veste no esplendor dos Antigos Deuses? Quando provarmos quem está “certo – e quem está “errado”, o que restará nas ruínas fumegantes?

Ainda hoje, após esta roda de conversas, vi uma pessoa que doa seu tempo, sua saúde, e quase tudo que tem tocando um encontro no Rio de Janeiro por mais de dez anos cansada e porque não dizer, um pouco triste.  Parte da tristeza tenho certeza que vem de dar tudo que pode e ainda assim, estar diante de mais vaidades disfarçadas de discordância – onde deveríamos estar todos nós agradecendo por alguém que ainda tem fôlego e amor no coração para montar um evento que não seja financiado por lojinhas, iniciações e livros de qualidade duvidosa.

Cada um dá o que pode, e nos cabe exercer a maior das tradições pagãs, a da hospitalidade, com fartura e um sorriso sincero no rosto. Em uma casa onde recebemos nossos pares com amor, não há lugar para desculpas furadas, arrogância, e despreparo disfarçadas do “que se foda, eu já fiz muito”.  Quando é muito?

Eu exponho o muito: Quando se vê hóspede brigando com anfitrião. Quando se vê anfitrião desmaiado de cansaço. Quando se vê que aquela que deveria ser amparada envergonhada por ter dado tanto, mas tanto, aos seus convivas, que nada mais sobrou para si.

Respeitemos a Bruxaria, respeitemos o Paganismo, não como palcos, mas como casas maternas que são. Mais do que isso, respeitemos as pessoas que os professam e vivem, não pelos nomes pomposos que gostam de distribuir entre si, mas pelo seu trabalho e pelo que doam aos que precisam.

Sem respeito, nada se constrói.