A Divinis Draco

Por estes dias, uma mulher perguntou o porquê da minha opção em utilizar o termo “dracônico” ao qualificar tudo aquilo que possua relações de afinidade e pertença aos Dragões.

Antes de mais nada, é necessário esclarecer que não considero o uso ou escolha de palavras pouca coisa. Se o universo foi criado por uma canção, e o nome é o primeiro passo para conhecer, as palavras possuem uma magia própria que deve sempre ser respeitada.

Quando se propõe uma escrita diferente para um termo, trata-se de um trabalho quintessencialmente mágicko, de alteração de egrégora, indo muito alem de mera adequação à esta ou aquela filosofia ou regra culta de linguagem.

Algumas vezes esta alteração é virtuosa, e em outras visa fracionar e subverter tais egrégoras a fins mais humanos que divinos, tentando encaixar uma falange celeste em visões por demais limitadas e humanas. O resultado geralmente é um aborto que pouco guarda em comum com o nomeado original, mas isso dever ser avaliado e descoberto por cada um ao seu devido tempo.

Vamos às possíveis origens da palavra:

drákōn (δράκων)

A palavra grega vem do genitivo drakontos, que remete a serpentes e guarda relação com o vocábulo derkesthai – δέρκομαι  (“ver de maneira clara”).

É também citada como origem grega o nome próprio do arconte e legislador (Drácon ou Δράκων) que em 621 A.C condenava à morte criminosos culpados de roubos e assassinatos. Devido à severidade deste legislador, a palavra chegou aos tempos modernos como sinônimo de desumano, excessivamente rígido ou drástico.

Vamos analisar com um olhar diferente esses sinônimos:

  • Para aqueles que já tiveram a chance de trabalhar com Dragões, verão que caracterizá-los como “desumanos”, no sentido de não possuir ou expressar características humanas, não é exatamente um erro.
  • Quanto à rigidez, faço a comparação com um atleta profissional: para nós sua rotina de exercícios e alimentação seria rígida, mas para ele é apenas o necessário para que possa atingir os seus fins. Quando falamos de sua “moral”, vindos de uma sociedade cheia de torpitude como a nossa, parece um tanto óbvio que chama-los de rígidos é praticamente um elogio.
  • Por fim: drástico: de propriedades eficazes. É, corretíssimo 🙂

Pessoas “sensíveis” parecem ser incapazes de resignificar um termo com características de desumanidade, rigidez, e etc.  Para estes, talvez o caminho Draconiano não sirva, uma vez que parecem se preocupar mais com a aparência do que com a essência. Um Dragão não deve nunca se sujeitar a maré da doxa humana.

À guisa de expandir as possíveis origens do vocábulo, seguem algumas palavras:

draconem

A palavra latina vem do nominativo draco, que significa “grande serpente”.

Draca

Inglês arcaico para “grande serpente”ou “monstro marinho”

Estrelas (Constelação de Draco)

Dragao_UrsaMenor_img[1]

Constelação vista do hemisfério norte, circumpolar. De acordo com este site:

Existem algumas lendas antigas relacionadas com esta personagem, sendo associada a vários dragões diferentes presentes em mitos gregos, por vezes identificando até exatamente o mesmo monstro em diferentes contextos; estas contradições explicam-se devido ao facto de estas lendas terem origem em autores clássicos distintos que, de forma independente, se dedicaram a explicar a presença da personagem no céu.
   A mais conhecida de todas é a que refere ser este o dragão que guardava as maçãs de ouro do Jardim das Hespérides, num dos episódios dos 12 trabalhos de Hércules. O herói mítico conseguiu matar (ou, noutras versões, adormecer) o dragão e colher as maçãs, tendo a deusa Hera colocado então a imagem do monstro no céu.
   Outra lenda grega conta que este seria o Dragão da Cólquida, morto por Jasão para que o herói mítico conseguisse obter o Velo de Ouro. Um mito menos conhecido, de entre ainda muitos outros, conta que este teria sido o monstro morto por outro herói mítico grego, Cadmo, fundador da cidade de Tebas, para conseguir alcançar uma fonte num bosque sagrado guardado por um dragão.
Como podem perceber, todas estas lendas apresentam outra característica essencial do Espírito Dracônico: A guarda daquilo que é sagrado aos Deuses.
Ainda, para os antigos Babilônicos, a estrela norte era Thuban (por volta de 2.700 AC), que era também chamada de “cabeça de Tiamat”. Para os egípcios, essa estrela, usada como referencial na construção de algumas pirâmides, era chamada de imortal ou imperecivel.
Conclusão
Por todos estes motivos eu prefiro a grafia Dracônico. Lembra com propriedade todos os valores que busco atingir e ao mesmo tempo me lembra que o caminho de um Dragão nunca deve ser orientado pela busca da popularidade.

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