Da serpente que expulsou o irlandês

Dia 21 de março é uma data importante para a Tradição Caminheiros de Hybrazil. O Equinócio de Primavera é sempre um momento de planejamento para nós, quando paramos à beira do caminho para consultar as estrelas e as montanhas e ver se estamos na direção correta.

Então, vamos falar de orientação e o que acontece quando se perde a noção de quem somos ou onde estamos.

Tenho visto por anos a fio pagãos celebrando o dia de Patrício – essa piada pronta que só pode nascer da ignorância e aculturação tão cultivada por essas vítimas da Nova Era. Um Pagão comemorar essa data faz tanto sentido quanto um rabino comemorando o holocausto. É burro, é incoerente, é imbecil.

Não batemos palmas para nem celebramos nenhum perseguidor de Pagãos. Não precisamos de uma desculpa social para beber. Sim, gostamos de cerveja boa (não essa lavagem tingida de verde) e por mais que alguns de nós simpatizemos com os Irlandeses (ou japoneses, ou nórdicos, ou Sioux) não somos tão infelizes a ponto de fingirmos ser um estereótipo ruim de outra cultura por uma noite.

Também não somos idiotas para ver a cristandade se apropriar de OUTRA festa nossa a fim de esvaziar as celebrações de equinócio (Ostara, etc.) e acharmos bonito.

Sabemos muito bem quem e onde somos. E se você celebra o dia de Patrício, tenha certeza que não é um dos nossos.

Não me interessa se as cobras que ele expulsou eram Druidas ou não (a propósito, diz-se que as últimas cobras encontradas na Irlanda datam pré-era do gelo). Não me interessa se ele não foi o único responsável por cristianizar a Irlanda. Não me interessa se ele na verdade passou pela Irlanda a fim de expurgar heresias cristãs. Ele era um missionário cristão.

Tão ruim quanto perseguição física é o policiamento ideológico. Os dois são cabrestos colocados por anos a fio pela cristandade àqueles que ousaram pensar e crer de forma diferente. E celebrar um missionário cristão, sob qualquer que seja a desculpa, é algo que qualquer filho dos Deuses Antigos deveria ter vergonha em fazer.

Ainda:

  1. Ele nunca foi irlandês.
  2. A cor dele nunca foi verde.
  3. O trevo não é o símbolo da Irlanda. É o símbolo da “Santíssima” trindade cristã.

PS> Patrício, como missionário, também não devia aprovar excesso de bebida. Parabéns, tanto as serpentes quanto o missionário acham você um idiota por usar esse dia pra fingir-se de irlandês e ter uma desculpa pra encher a cara.

 

Do lar e seus Deuses

“There is no place like home.”
― L. Frank Baum, The Wonderful Wizard of Oz

Sábios eram os Romanos e outros povos da antiguidade que reconheciam que cada lar abriga um Deus. infelizmente de lá pra cá, tanto se perdeu que frequentemente tenho a impressão que esquecemos muitas e muitas vezes o que pensamos que sabemos.

Sou obrigado a garantir aos mais inclinados à literalidade que o Deus de seu lar não irá, provavelmente, acabar com sua última cerveja ou deixar a louça suja na pia. Talvez, de vez em quando, derramar um copo se te esqueceres de oferecer tuas libações ou talvez deixar que pequenas desventuras te lembrem do seu desprazer (Lâmpadas se queimando em excesso e barulhos incovenientes são sempre um sinal).

Isso não quer dizer, no entanto, que ele (ou ela) será totalmente indiferente às realidades do seu lar. Os Deuses se envaidecem das obras de seus protegidos, e não é diferente com os Deuses lares: eles se orgulham de uma casa bem mantida, e em troca, ofertam sua proteção ao lar que também é deles.

Poss quase ouvir nos fundos da sala o muxoxo de bruxas enfeitiçadas pelo canto de sereia daquilo que chamam de feminismo hoje em dia, preparando=se para queimar os panos de pó e aspiradores (porque, convenhamos, uma bruxa queimar uma vassoura é um contrasenso), lembrando que Amélia já era. Pois então: Há uma diferença enorme em prestar-se a este papel para honrar um homem, um igual, e para honrar o lugar que habita.

Como filhos e filhas dos Deuses Antigos, não deveríamos defecar onde dormimos, ou estocar comida azeda, ou sequer deitar-se em meio à sujeira. Mas sempre há o cansaço, a tristeza e a falta de hábito. Estranhos são os companheiros com os quais nos cercamos, mas mais estranho ainda é aperceber-se disto e permanecer no erro.

Se o mundo é nosso altar, e tudo nos é sagrado, porque não nosso lar? É assim que tratamos nossos templos, então? Com que direito podemos reclamar das ovelhas conquistadoras que derrubaram nossos altares e calaram nossos sacerdotes se não nos levantamos nem para tirar o pó das estátuas…?

Honrem seu lar e seu Deus. Honrem seu abrigo e seu local de descanso. Honrem sua proteção, e serão protegidos em troca.