Vontade

Na falta de Vontade, a mais completa coleção de virtudes e talentos de nada vale.

 – Aleister Crowley

O Caminho de dedicação não requer muito daquele que há se iniciar no culto dos Antigos Deuses. Não pede do Caminheiro conhecimentos obscuros da Babilônia ou que saiba as quarenta e duas negativas a serem enunciadas perante a balança de um certo Canis aureus. Não se pede, também, que possua dons mágickos transcedentes ou que seja herdeiro de uma longa tradição de magos atlantes. Não é isto que esperamos daquele que para perante os umbrais desta casa.

Esta casa não se porta como uma espécie de RH divino, analisando curricula dos que aqui batem, a julgar quem ou como devem melhor servir os Antigos Deuses. Somos, na melhor das hipóteses, arautos que buscam transmitir formas e valores em busca de se manter o culto dos Antigos Deuses vivo e vibrante.

No entanto, certas coisas são impossíveis de ignorar naqueles que entram. Enquanto alguns buscam o caminho antigo com a sofreguidão de um infante ao buscar o seio da mãe, outros parecem usar o oásis temporário como pousada, refrescando-se e descansando antes da próxima parada. A quem esta casa se destina? Costumo dizer que a maior prova do caminhar na senda da bruxaria e do culto aos Deuses Antigos são os resultados sobre a própria vida e seus caminhos.

Aos que tem coragem de buscar os caminhos de outrora, quase desaparecidos, esta casa se destina. Aos que possuem a humildade de despir-se de seus antigos caminhos e certezas para que possam vestir-se dos simples trapos que nos irmanam, possuem um lugar à nossa mesa. Aos que compadecem-se das injustiças e das dores e feridas do caminho e ousam olhar para o próximo com amor, estes trabalharão para fazer o bicho-homem algo digno de orgulho novamente. Aos que se portam com garbo e honra perante mercadores e falsos príncipes, chamarei de andarilhos.

A estes esta casa se destina. Àqueles que buscam reduzir este templo a camarilha de comadres e cursinho esotérico, que sejam servidos pelo mundo.

Para ser um caminheiro é preciso Vontade. É não se satisfazer com o que é pedido; é não ser passivo gestão da própria vida. É sorver, a goles largos e com tesão o cálice servido pela andarilha rubra antes que sejamos supreendidos pela sua alva irmã.

É nesta Vontade que esperamos que caminhem.