道 地府 Capítulo 1 – O mistério do caminho no submundo

Introdução:

Buscando registrar minhas experiências ao trilhar o submundo, decidi iniciar um log chamado 道 地府, onde colocarei minhas idéias, percepções, e conceitos. Embora esse registro seja criado primeiramente para benefício dos meus pares do CDC, acredito que possa vir a ser útil para outras pessoas, por isso deixo os registros como públicos.

Fica a advertência que quando falo de “submundo”, falo sob o contexto de bruxaria dracônica, e não sob o prisma puramente xamânico. Da mesma maneira, não falo de submundo sob uma mitologia semítica, como morada de maus espíritos dou destino final dos espíritos dos falecidos.

Usarei como guia base experiências despertadas na leitura do Tao e em meditações e experiências. Não reproduzirei aqui detalhes sobre os ritos empregados – caso haja a necessidade de conversar sobre tais minúcias, eu posso ser contatado  através dos comentários.

Capítulo 1.

O caminhar no submundo é uma experiência profundamente pessoal e subjetiva; palavras não conseguem se aproximar das sensações e emoções do trilhar. De maneira semelhante à nossa próxima mente, aquilo que não se enxerga ocupa parte maior do que é percebido.

O submundo é uma passagem mimética que reproduz correntes presentes no espírito e mente daquele que o trilha.  Embora o mesmo seja morada de diversos Deuses, espíritos, elementais, ancestrais e tantos outros seres telúricos, absolutamente nada que se mostra no cenário existe fora daquele que ali caminha.

Isso não quer dizer que o submundo não existe por si só; apenas que ele existe como uma camada que permite a interface do espírito humano com certas forças que seria muito mais difíceis de acessar em outras paragens.

Da mesma maneira que o id não é a mente, a linguagem não é o submundo. O caminho a ser desbravado é antigo e primevo, e qualquer nome que possa ser atribuído trata-se apenas de um estertor de uma mente mamífera diante do vazio.

A linguagem dos espíritos não se exprime através de caracteres que representam sons ou idéias, mas através de um espectro de emoções e sensações. Especial atenção deve ser dispensada aos chacras básico e cardíaco, que se tornam os mais ativos nesta jornada.

Ao iniciar meu caminho no submundo, diante dos umbrais, ficou claro à mim no portal a dança da criação, a interação das águas na forma de dois dragões orientais entrelaçados, um branco e um preto. A dança, tão antiga quanto o universo, vai muito além do hiero gamos ou da interação entre positivo e negativo.

Um dos nomes mais antigos de Tiamat é o vazio; um dos nomes mais antigos de Apsu é Amplitude. Embora nesta armadura de carne a visão seja turva, nela podemos contemplar a dança do vazio e da amplitude, de Hadit e Nuit, do ponto e do círculo, sístole e diástole, anabólise e catabólise. Tal dança é a emanação e reverberação da interação de Tiamat e Apsu.

O símbolo também são os pilares maçônicos; o caduceu iniciático; o hieróglifo da senhora do Heka, entre tantos outros. Diante do umbral de marfim e ébano, me detive e contemplei o maior dos segredos aos olhos de qualquer viajante, em um batente de porta – Vau.

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